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Diferentes vereadores prestaram depoimento na condição de testemunha, entre eles, um indiciado na CPI das Milícias, concluída em 2008, na qual Marielle trabalhou

O assassinato da vereadora Marielle Franco, 38, e de seu motorista, Anderson Gomes, 39, completa um mês neste sábado (14) sem que a Polícia tenha localizado autores ou mandantes. Com isso, acaba o prazo de 30 dias para a conclusão do inquérito e, por isso, a Polícia Civil deve pedir que ele seja prorrogado.

A principal linha de investigação é a de motivação política. “Não há dúvidas de que a atuação política dela, não só no momento, mas até a projeção de futuro do que ela poderia representar, indica que a gente tem que ter um olhar mais acurado nesta direção. Isso é inegável”, disse o secretário da Segurança Pública do Rio, general Richard Nunes, em entrevista à GloboNews. Sem apresentar nenhum detalhe, o secretário também disse que foi descartada a hipótese de crime passional.

Diferentes vereadores prestaram depoimento na condição de testemunha, entre eles, um indiciado na CPI das Milícias, concluída em 2008, na qual Marielle trabalhou. O assistente de um vereador que depôs à Polícia Civil foi assassinado no último domingo (8). Não está claro, porém, se o crime teve relação com a morte da vereadora.

Segundo o jornal O Globo, peritos encontraram fragmentos de digitais nas cápsulas de munição achadas na cena do crime. Por estarem fragmentadas, não podem ser comparadas com digitais armazenadas no banco de dados das polícias do Rio e Federal, mas poderiam ser confrontadas com as de um eventual suspeito. A Polícia Civil não confirma a informação porque a investigação está sob sigilo.

Na prática, a investigação está sob a responsabilidade do governo Michel Temer (MDB), que decretou em fevereiro a intervenção federal na segurança pública do Rio e escalou um general do Exército para o comando da inédita medida. PM e Polícia Civil respondem diretamente aos interventores.

Marielle, do PSOL, tinha como causa o avanço dos direitos das mulheres, principalmente as negras. Trabalhou na Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), onde atendia vítimas de grupos criminosos e de violência policial. Também ajudava famílias de policiais assassinados.

Com frequência denunciava abusos cometidos por policiais em favelas. Dias antes de morrer, criticou o 41º Batalhão da Polícia Militar, o mais letal do Rio.

Na semana passada, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que algumas linhas de investigação já foram descartadas e que os agentes se aproximam de uma hipótese principal. Sabe-se que mais de uma pessoa participou do crime.

Enquanto a Polícia Civil colhe depoimentos e cumpre diligências, a Polícia Federal cuida da perícia da munição usada no crime. O Ministério Público também acompanha a investigação.

Marielle participava de um encontro de mulheres negras na Casa das Pretas, espaço na Lapa, região central do Rio. Imagens de câmeras de segurança mostram que dois carros estacionaram na rua.

Quando Marielle saiu da casa e o carro onde estava deu partida, os dois carros trocaram sinais de alerta e a seguiram.

O carro dos criminosos emparelhou com o veículo em que Marielle estava, na rua Joaquim Palhares, próximo à estação Estácio do metrô, atiraram e fugiram em disparada sem roubar nada. Marielle estava no banco de trás de um Chevrolet Agile branco com sua assessora, que sofreu ferimentos leves. Na frente, estava seu motorista, Anderson Pedro Gomes, que também morreu.

Ao todo, foram 13 tiros. O carro foi atingido nove vezes, sendo que todas as balas foram em direção ao banco traseiro, onde ela estava, segundo a Polícia Civil. Quatro tiros atingiram a cabeça da vereadora.

Outros três, a lateral das costas do motorista. Como a maior parte dos disparos atingiram a vereadora, os investigadores da Polícia Civil avaliam que o atirador sabia que Marielle estava sentada naquele lugar.

O caso teve repercussão internacional e entrou na pauta da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA (Organização dos Estados Americanos). “Não há qualquer dúvida de que tenha sido uma execução política. Nossa resposta será criar muitas Marielles. Não vamos recuar”, diz o deputado Marcelo Freixo (PSOL), padrinho político da vereadora.

 

Com informações da Folhapress.