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Estabelecimentos atuavam de forma clandestina (Foto: Divulgação)

Dois abatedouros clandestinos foram interditados na manhã deste sábado (5), no município de São João do Rio do Peixe, no Sertão paraibano, durante operação realizada pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério do Público do Trabalho (MPT), com o apoio da Polícia Federal (PF) e Polícia Militar de Sousa. Durante a inspeção, os agentes constataram irregularidades como falta de higiene e de inspeção pelos órgãos competentes, instalações e equipamentos precários, operários sem uniformes, além de condições inadequadas de trabalho.

A operação foi resultado de uma denúncia feita ao Ministério da Agricultura. Os dois estabelecimentos atuavam no abate de bovinos, suínos, ovinos, caprinos e frangos, e funcionavam, irregularmente, na zona rural da cidade. De acordo com o auditor fiscal federal agropecuário, Vandberg Barbosa Braz, o mau cheiro nos locais e os riscos à saúde pública foram os motivos para a população denunciar. “Os riscos à saúde pública são elevados e vão desde infecções ou intoxicações alimentares até zoonoses, como brucelose e tuberculose”, destacou.

Ele explicou que foram identificados nos locais problemas higiênico-sanitários, entre eles, falta de inspeção sanitária por inspetor veterinário dos animais abatidos, instalações e equipamentos precários, com péssimo estado de higiene, operários sem uniformes e práticas de higiene. “Animais abatidos sem técnicas humanitárias de abate, onde se usava machado para abater os animais, prática há muito já condenada. Além disso, as carcaças e vísceras comestíveis como fígado, coração e buchos, tinham contato com superfícies contaminadas, não sendo submetidas a resfriamento, e conduzidas a diversos açougues e supermercados do município”, relatou o auditor.

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Estabelecimentos atuavam de forma clandestina (Fotos: Divulgação)

Transporte em carrocerias de veículos

Durante a operação, foi observado que o transporte dos produtos aos estabelecimentos de comércio era feito no interior de carrocerias de veículos, cobertos por lonas. Isso, conforme o auditor Vandberg Barbosa Braz, complementava a cadeia anti-higiênica de produção.

Tudo isso, sem contar que os efluentes e resíduos do abate eram destinados a um córrego em um dos abatedouros e, no outro, na superfície do terreno, sem qualquer tratamento prévio. Havia, inclusive, urubus e inúmeras ossadas num dos abatedouros. “Quanto à questão trabalhista, os operários não eram regularizados e trabalhavam em condições precárias”, completou. Um dos abatedouros funcionava no Sítio Vera Cruz, de propriedade de Francisco Gutemberg Moreira da Costa, conhecido por Gugu. O outro era de propriedade de Ubiratan Estrela Rocha, no Sítio Olho d Água, às margens da Rodovia PB-393.

Além do auditor, participaram da operação a agente de inspeção, Bernadete Pereira de Sousa; do Ministério Público do Trabalho, o perito em Segurança do Trabalho, Juliano Sitônio.

 

  • Lucilene Meireles (Jornal Correio da Paraíba)