A vida difícil no interior de Pernambuco nunca foi motivo para os sertanejos deixarem de superar os seus obstáculos. Enquanto os políticos de Serra Talhada perdem tempo discutindo a questão do lixo, os catadores estão usando os restos que ficam nas ruas para sobreviver e tirar seu sustento. 

A luta para viver uma vida digna e honesta faz que alguns utilizem os restos que ficam espalhados na via pública para diminuir a poluição, ajudar o meio ambiente e tirar o sustento mensal para sua família. 

A reportagem do Jornal Âncora do Sertão conheceu um pouco da história da senhora Francisca Amaro dos Presentes, catadora e recicladora do lixo urbano. Essa mulher guerreira e batalhadora vive da reciclagem onde consegue faturar pouco mais de R$ 150 ou R$ 200 reais por mês, e desta forma ajuda sua mãe com câncer e diabete. Ela ainda contou que já trabalhou no lixão, localizado as margens da PE-390. 

“Eu apanho papelão todos os dias de manhã e tarde. Consigo faturar às vezes R$ 150 e R$ 200 num mês dependendo da produção. Eu tenho ajudado limpar as ruas de Serra Talhada e tenho dado o exemplo trabalhando na limpeza das ruas, diferente daqueles que não querem trabalhar, mas pegam no que é dos outros... Esse nosso trabalho é digno e é um exemplo para sociedade”, destacou a catadora. 


O sofrimento é muito grande para essas pessoas e faltam políticas públicas mais eficientes com educação e incentivo. A catadora disse que tinha vontade de estudar e até fazer um curso de artesanato, mas devido a saúde da mãe e o trabalho não consegue. 

“Eu já trabalho a quase 1 ano como catadora de material de reciclagem, mas devido ao cansaço não dá pra estudar. Hoje trabalham mais de 100 pessoas reciclando o lixo em Serra Talhada", disse.
 
Experiência no lixão - "Eu já trabalhei 5 anos catando materiais no lixão da Caxixola e devido as complicações de saúde da minha mãe tive que vem catar lixo no centro da cidade, por que desta forma consigo trabalhar e cuidar da minha mãe. Não tenho como ir para o lixão por causa da falta de transporte, às vezes vamos de carroça de burro e levamos água, e outras comemos o que encontramos nas sacolas de lixo”, relatou o sofrimento.