A decisão da prefeita Paloma Kenned de exonerar o ex-prefeito José Paulo Filho, Dedé, da Secretaria de Finanças, vai além de uma simples mudança administrativa e escancara uma ruptura política que já vinha sendo comentada nos bastidores de Santana dos Garrotes.
Dedé governou o município por oito anos, período em que consolidou liderança política, promoveu avanços estruturais e foi figura central na articulação que levou Paloma Kenned à vitória nas eleições de 2024. Sua exclusão do governo, acompanhada da exoneração de aliados, causa estranheza e gera questionamentos sobre a condução política da atual gestão.
A medida passa a impressão de um distanciamento deliberado de quem teve papel decisivo na construção do projeto político vitorioso. Para parte da população e de lideranças locais, o gesto sinaliza ingratidão política e enfraquece a ideia de continuidade administrativa tão defendida durante a campanha.
É inegável que todo gestor tem autonomia para montar sua equipe. No entanto, decisões dessa natureza, quando atingem diretamente a principal liderança que sustentou a eleição, precisam ser analisadas com cautela, sob pena de gerar instabilidade política e frustração em setores que acreditaram no projeto.
A exoneração de Dedé não apaga o legado deixado por sua gestão, visível na organização da cidade e nas obras executadas ao longo dos últimos anos. Resta saber se a atual administração conseguirá manter esse ritmo ou se a ruptura política cobrará seu preço mais adiante.
O episódio marca um ponto de inflexão na política de Santana dos Garrotes e coloca a gestão Paloma Kenned sob observação, especialmente quanto à sua capacidade de dialogar, agregar e considerar a história política recente do município.
O Blog abre espaço para o contraponto das partes citadas, caso queiram.